Caga Sentenças

Todo o Português caga a sua sentença. Neste espaço venho deixar a minha poia.

Sexta-feira, Junho 30, 2006

GAME OVER

No outro dia estava a pensar, não importa quem sejas ou aonde estejas, podes destruir completamente a tua vida em 45 minutos ou menos. Não tenhas dúvidas...podes. Passamos uma vida inteira a tentar construir algo para nós. Qualquer um de nós tem esse objectivo, todo o nosso tempo é para construir algo que nos realize. Algumas pessoas é para atingir objectivos específicos, outras é por dinheiro, há pessoas que sonham casar com aquela pessoa que é perfeita para elas e que depois trabalham para as coisas funcionarem para sempre, há ainda quem tenha o objectivo de ter filhos e criá-los, outros é para fazerem uma carreira em que tenham orgulho e ainda há aqueles que sempre quiseram ter um negócio deles, etc, etc...Qualquer que seja o objectivo, qualquer que seja o esforço que irás pôr nisso ao longo dos anos, qualquer que seja o que constróis, eu digo que podes terraplanar isso tudo nuns bons 45 minutos. Nada de violência ou qualquer coisa do género, não, nada disso, eu estou a falar sobre palavras. Estou a dizer que podes fazer isso com meia dúzia de palavras e...GAME OVER! Podes ir ter com o teu patrão e dizer-lhe que ele tem uma pila que parece uma ervilha e que andas a comer a filha dele em cima da fotocopiadora há meses, pimba! Carreira ao ar. Não importa se és o empregado do mês. Se dizes uma coisa dessas vais para a rua. Depois chegas a casa e dizes á tua mulher, marido, namorado ou namorada, que ela ou ele é uma merda e um cona de todo o tamanho e que andas a comer a filha do teu patrão em cima da fotocopiadora e rires na cara dela/dele. Atenção, muito importante, tens de rir com vontade enquanto lhe apontas o dedo. E o teu casamento ou namoro acaba, acaba tudo. Mesmo que depois vocês fossem ao terapeuta ou psicólogo e tentar resolver as coisas, a relação tinha acabado, porque não se consegue esquecer uma coisa dessas.
È claro que podias nunca mais ir para a casa ou despedir-te do emprego e simplesmente ir embora. Mas não é isso que me interessa. O meu ponto de vista é que tu podias, completamente sozinho e somente com palavras, destruir irrevogavelmente a tua vida. È que já houve pessoas em que lhes aconteceu isso, por acidente, por falarem demais ou por dizerem algo no momento errado. Acho isso fascinante pra caraças! Ah pois é! Consegues arrebentar a tua vida completamente sozinho, a tua vida virar cinzas. E é isso que me fascina. Porque é que nos agarramos ás nossas vidas com tanto afinco? Esta vida, esta existência, porque é que toda a gente pensa que a vida que eles constróem é tão especial? È que provavelmente não é. Pensas mesmo se a tua vida fosse completamente com os porcos...sem emprego, sem esposa/namorada, sem dinheiro, sem nada, que tu não conseguias construir outra vida se quisesses muito? Por exemplo, naquela série antiga “O Fugitivo”, o gajo principal andava todas as semanas a fugir de cidade em cidade e antes do primeiro intervalo já tinha arranjado um emprego num bar ou numa merda qualquer, engatado uma gaja qualquer e estava pronto para a vida. Antes do primeiro intervalo! E esse gajo era procurado pela policia! Ele conseguia safar-se e tu não? Claro que conseguias. Uma vida acaba, outra começa. Ora que caralho! Talvez a próxima seja melhor, talvez...seja uma merda...pois...provavelmente seria... mas só há uma maneira de descobrir...

14 Comments:

  • At 11:46 AM, Blogger glaucoma said…

    lobomau, grande desabafo!! Mas vais conseguir levantar-te e caminhar, pois deus é tudo e elas são nada.

     
  • At 1:16 PM, Blogger ^vVv^ said…

    Texto sensato... mas tal como simples palavras ou actos podem levar ao "Game Over", também, simples palavras ou actos podem levar ao "You Win". Apenas a apatia te pode tornar passivo na tua experiência e deixar-te à mercê dos condicionalismos externos. A existência é feita de pormenores e o "Game Over" ou o "You Win" dependem de nós... pelo menos, assim o sinto! :)

     
  • At 2:49 PM, Blogger carlos said…

    Interessante o teu texto.
    As palavras são definitivas. Para o bem e para o mal.
    Articulas sons vindos da garganta e mudas o mundo. É giro isso.
    E porque é que as pessoas são agarradas à vidinha que construiram? Porque têm medo. De passar privações, de serem mal vistas pelos seus pares. And so on.
    É muito interessante pensar nisto, eu costumo dizer: Vamos viver a vidinha, trabalhar muito, construir, elaborar, consolidar para que consigamos comprar um caixão todo bonito e limpinho.
    hug

     
  • At 1:29 AM, Blogger Cão com Pulgas said…

    É de facto possível livrarmo-nos de uma vida e começarmos outra completamente nova. Se não tivermos pendentes a prestação da casa, a mensalidade do leasing para pagar, o seguro do carro, o selo, o IRS, uma dívida à segurança social, a merda da quota do condomínio, e ainda por cima aceitaste ser o administrador...
    Podes fugir da polícia, podes fugir do diabo e dos teus fantasmas todos juntos e até da tua vida anterior, mas não escapas aos compromissos que assumiste para viver no meio dos outros.
    E se não nasceste rico, filho, já nasceste preso a eles. Mas podes sonhar.

     
  • At 1:53 PM, Anonymous joana said…

    Queres um conselho? Não penses tanto... tudo tem solução, pode ser ou não do teu agrado, mas isso logo se vê, no fundo ha de haver soluçao para isso tambem.
    Don´t worry... Be happy!!!

     
  • At 2:24 PM, Blogger Ricardo said…

    Excelente texto Lobo Mau!!!
    Pode não parecer à primeira, mas este texto é extremamente positivo. Vai de encontro a um ideal de vida que tenho e que muito prezo, que é de que todas, mas mesmo TODAS as coisas más trazem uma lição boa. Ou uma parte boa.
    Neste caso será porque o arruinar da tua vida pode ser o principio de outra, quiça, muito melhor.
    Melhor exemplo prático que tenho é do Bruno... que arruinou uma carreira brilhante (ou não) nos moldes, a trabalhar com muitos e muitos homens e agora foi para a Hungria e só trabalha com mulheres.
    Totoloto?! Não... Coragem...

     
  • At 2:26 PM, Blogger Ricardo said…

    É caso para dizer "Extra Ball" em vez de Game Over...

     
  • At 4:15 AM, Blogger Papa Ratzi said…

    Se em 45 minutos podes destruir uma vida, em 15 podes dar origem a uma.

     
  • At 11:38 AM, Anonymous Anónimo said…

    muito boas as análises de Ricardo e Papa Ratzi.

    Ao lobo mau, pergunto quem é que lhe paga o computador e o acesso à internet se ele espatifar a vida em 45 minutos. (Claro que pode sempre ir à net pública, mas acho que isso é depender demais dos outros.)

    Do meu ponto de vista, e embora estes pessimismos sejam muito actuais, desde Fernando Pessoa e Nietzsche e outros (sem prejuízo do Ricardo que virou o texto ao contrário e vê nele o positivo), acho que se foi para isto que deixámos de acreditar em Deus, mais valia ficarmos na mesma. Toda a imensidão de analistas que acham que a vida não serve para nada e é inútil só vêm dar razão aos padres que consideram Deus indispensável,e fariam melhor em estar calados.
    Se a ideia é mesmo ser positivo como o Ricardo aponta, acho muito bem...

    " Por exemplo, naquela série antiga “O Fugitivo”, o gajo principal" já para não falar do JOHN RAMBO... resta saber se não se chegava a um ponto em que o gajo principal olhava à volta e sentia falta de um sítio seu para ficar em permanência, tipo uma quinta com umas ovelhas e uu burrito...

     
  • At 12:02 AM, Blogger Chakal said…

    Lobomau, é verdade que muitas vezes uma pessoa tem de se esforçar comó car**** pa não deitar tudo prá trás das costas.Mas depois para-se, pensa-se nos prós e nos contras e, seja por sensatez seja por comodismo (ou por outra razão qualquer) decide-se seguir com a nossa vidinha. Não sou tão fatalista como o carlitos. Se vivermos a nossa vida ela terá sempre um efeito, nem que este se restrinja aqueles que nos rodeiam. Como qualquer espécie vivemos para prolongar a espécie, para dar uma boa vida aos nossos filhos, netos e por diante; não apenas para comprar um caixão bonito (embora tenha achado piada à ideia).
    Ser fatalista é ver as coisas pelo lado negativo e, como disse e muito bem o ricardo, cada lado negativo tem uma perspectiva positiva, por mais diminuta que seja.
    Quanto ao anónimo, não concordo com a afirmação relativamente à religião, pois esta advoga que devemos viver para construir um bem melhor para todos (se bem que trazer Deus para o barulho me parece heresia - por parte da própria religião ;) )
    A malta tem de se preocupar é em construir uma vida que lhe apeteça viver, dentro dos constrangimentos que esta lhe apresenta na casa partida. E se acabarmos um bocadinho melhor do que começámos, então já valeu a pena...

     
  • At 1:35 AM, Blogger carlos said…

    é óbvio que não fui fatalista, fui irónico.

     
  • At 11:05 PM, Blogger NemRod said…

    Vivemos uma realidade sob a qual filósofos que dizem o que pensam, em 45 segundos, se tornam mendigos a dizer o que lhes mandam.

    Mas ainda os há diferentes...

     
  • At 3:40 PM, Anonymous lobomau said…

    Para o "Anónimo": neste momento estou a "teclar" á borla no "Espaço Internet" em Arronches.
    Atenção este texto não é pessimista, é apenas uma dissertação de algo em que ás vezes penso. Não significa que eu esteja farto da vida que tenho. É apenas uma tentativa de fazer "saltar para a ribalta" este assunto.

     
  • At 3:44 PM, Anonymous lobomau said…

    "Ricardo", acertastes em cheio!

     

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